quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Esta tolerância, este largeur do coração, que tudo "perdoa", porque tudo "compreende", é para nós Siroco. Antes viver entre os gelos do que no meio das virtudes modernas e outros ventos do Sul!... Fomos bastante corajosos, não poupamos os outros nem a nós próprios, éramos por natureza menos domesticáveis que quaisquer outros: mas por longo tempo desconhecemos aonde ir com o nosso valor. Havíamo-nos tornado tristes, chamavam-nos fatalistas. A nossa fatalidade era a plenitude, a tensão, o surgir das forças. Tínhamos sede de relâmpagos e de fatos, conservávamo-nos o mais longe possível da felicidade dos fracos, da "resignação". A nossa atmosfera estava carregada de tempestade, a nossa própria natureza nublava-se - pois não tínhamos rota alguma. Eis a fórmula da nossa felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma finalidade...

Friedrich Nietzsche

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